terça-feira, 13 de novembro de 2012

A construção de uma cidadania cultural

A preocupação com uma política pública para a cultura sempre me leva às considerações sobre cidadania cultural de Marilena Chauí.Devo parte do meu aprendizado sobre esse assunto `à essa pessoa humana .
Para Marilena,uma cidade tecida por uma teia de interesses e diferenças sociais precisa de uma política cultural que possa definir com clareza as prioridades, garantir os direitos existentes e desmontar privilégios.
São José dos Campos fez o caminho inverso nesses últimos 16 anos.A cidade ampliou as carências e cristalizou privilégios.Salvo as tentativas guerreiras de alguns agentes culturais em manter vivo um projeto de ação cultural que eles ajudaram a construir.Mas a Fundação Cultural Cassiano Ricardo fez uma opção por uma cultura oficial,colocando o poder público na condição de produtor cultural, determinando formas e conteúdos culturais com a finalidade de reforçar a ideologia do grupo que dirigiu a cidade nesses anos.E não é por acaso que os grandes eventos, FESTIVALE , FESTIDANÇA e Revelando São Paulo ,aparecem  como uma das poucas referências culturais da cidade num material pedagógico denominado Atlas ambiental de São José dos Campos distribuído para  os professores da rede.De entrada uma porção de “Bolinho caipira”e, pra não dizer que não tem participação popular,um pequeno destaque para o Moçambique.
Penso que, neste momento, a cidade precisa de uma política pública de cultura que esteja  comprometida com o fortalecimento de uma cidadania cultural,isto é,a cultura como direito dos cidadãos.Nesse sentido temos:”direito à criação,;direito de produzir cultura; o direito de participar das decisões quanto ao fazer cultural,o direito de usufruir dos bens culturais;o direito de estar informado sobre os serviços culturais;o direito à formação artística e cultural pública e gratuita nas escolas e oficinas de cultura dos centros culturais;o direito à experimentação e à inovação do novo nas artes e nas humanidades;o direito à informação e à comunicação,etc.”.Marilena Chaui.CIDADANIA CULTURAL:o direito à cultura.P.70.
Então, a Fundação Cultural Cassiano Ricardo como uma instituição de cultura subsidiada com o dinheiro público precisa estimular e promover as condições para que a população desta cidade exerça sua cidadania cultural.,contribuindo com o desenvolvimento do espírito humano,aprimorando a capacidade do cidadão de agir, pensar e atuar sobre o mundo.
O desenvolvimento do espírito humano implica no fortalecimento de uma identidade cultural,que nesta cidade está incorporada por uma diversidade de significados e valores.Precisamos nos libertar das verdades absolutas.Precisamos garantir o direito de ter  nossas opiniões e de poder mudá-las no momento certo.”Nem tudo o que é ouro brilha.O brilho suave é próprio do metal mais precioso”.Nietzsche.O viajante e sua sombra.P.151
Nesse sentido, creio que uma política pública de cultura aliada à construção de uma cidadania cultural configura uma ferramenta fundamental na tarefa de preparar os cidadãos para uma tomada suprema de consciência.É uma utopia,mas precisamos reconquistar nossos sonhos.
Por isso ,não comungo  com esse modelo de gestão empresarial que coloca os serviços culturais reféns dos critérios do mercado de consumo.Seus negócios são ligados a seus gostos.Precisamos respirar de novo o ar livre.Quero acreditar que a hora deste perigo passou.
E vamos tocar nossos tambores e entoar o coro da liberdade!
Sou índia Kaiopó
Sou Kaiowá, sou Xavante,sou tupi
Sou herdeira de Palmares
Descendente de Zumbi.

Meire Pedroso
Um ser cultural


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