A construção de uma cidadania cultural
A preocupação com uma política pública
para a cultura sempre me leva às considerações sobre cidadania cultural de
Marilena Chauí.Devo parte do meu aprendizado sobre esse assunto `à essa pessoa
humana .
Para Marilena,uma cidade tecida por uma
teia de interesses e diferenças sociais precisa de uma política cultural que
possa definir com clareza as prioridades, garantir os direitos existentes e
desmontar privilégios.
São José dos Campos fez o caminho
inverso nesses últimos 16 anos.A cidade ampliou as carências e cristalizou
privilégios.Salvo as tentativas guerreiras de alguns agentes culturais em
manter vivo um projeto de ação cultural que eles ajudaram a construir.Mas a
Fundação Cultural Cassiano Ricardo fez uma opção por uma cultura
oficial,colocando o poder público na condição de produtor cultural, determinando
formas e conteúdos culturais com a finalidade de reforçar a ideologia do grupo
que dirigiu a cidade nesses anos.E não é por acaso que os grandes eventos, FESTIVALE
, FESTIDANÇA e Revelando São Paulo ,aparecem
como uma das poucas referências culturais da cidade num material
pedagógico denominado Atlas ambiental de São José dos Campos distribuído
para os professores da rede.De entrada
uma porção de “Bolinho caipira”e, pra não dizer que não tem participação
popular,um pequeno destaque para o Moçambique.
Penso que, neste momento, a cidade
precisa de uma política pública de cultura que esteja comprometida com o fortalecimento de uma
cidadania cultural,isto é,a cultura como direito dos cidadãos.Nesse sentido
temos:”direito à criação,;direito de produzir cultura; o direito de participar
das decisões quanto ao fazer cultural,o direito de usufruir dos bens
culturais;o direito de estar informado sobre os serviços culturais;o direito à
formação artística e cultural pública e gratuita nas escolas e oficinas de
cultura dos centros culturais;o direito à experimentação e à inovação do novo
nas artes e nas humanidades;o direito à informação e à
comunicação,etc.”.Marilena Chaui.CIDADANIA CULTURAL:o direito à cultura.P.70.
Então, a Fundação Cultural Cassiano
Ricardo como uma instituição de cultura subsidiada com o dinheiro público
precisa estimular e promover as condições para que a população desta cidade
exerça sua cidadania cultural.,contribuindo com o desenvolvimento do espírito
humano,aprimorando a capacidade do cidadão de agir, pensar e atuar sobre o
mundo.
O desenvolvimento do espírito humano
implica no fortalecimento de uma identidade cultural,que nesta cidade está
incorporada por uma diversidade de significados e valores.Precisamos nos
libertar das verdades absolutas.Precisamos garantir o direito de ter nossas opiniões e de poder mudá-las no
momento certo.”Nem tudo o que é ouro brilha.O brilho suave é próprio do metal
mais precioso”.Nietzsche.O viajante e sua sombra.P.151
Nesse sentido, creio que uma política
pública de cultura aliada à construção de uma cidadania cultural configura uma
ferramenta fundamental na tarefa de preparar os cidadãos para uma tomada
suprema de consciência.É uma utopia,mas precisamos reconquistar nossos sonhos.
Por isso ,não comungo com esse modelo de gestão empresarial que
coloca os serviços culturais reféns dos critérios do mercado de consumo.Seus
negócios são ligados a seus gostos.Precisamos respirar de novo o ar livre.Quero
acreditar que a hora deste perigo passou.
E vamos tocar nossos tambores e entoar o
coro da liberdade!
Sou índia Kaiopó
Sou Kaiowá, sou Xavante,sou tupi
Sou herdeira de Palmares
Descendente de Zumbi.
Meire Pedroso
Um ser cultural
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