Em 1993, mudei de cidade,mudei de vida, mudei de amor.Vim para o Vale do Paraíba, São José dos Campos,São Paulo.Em setembro do mesmo ano fiz o concurso para professor de História da rede municipal.Passei e logo comecei a trabalhar no CAIC D.Pedro de Alcãntara.Passei 17 anos de minha vida nesta escola.Lá, eu ensinei, aprendi e fiz história.Lá, eu reconstruí minha vida pautada em outros objetivos.Lá idealizei sonhos e desejos.
Lembro-me que no começo eu levava meus filhos, pois não tinha com quem deixá-los.Todos me ajudavam.Professores e alunos.Também tive o carinho e a força dos meus colegas quando precisei me distanciar dos meus pequeninos.Tempos difíceis e tempestuosos.Mas encontrei alento no olhar e no sorriso de cada um dos meus alunos.Enfrentei vendavais com minha alegria de cantar.Graças a Deus, eu faço parte de uma tribo que se alimenta de arte.
Acredito na arte para a revitalização humana do espaço concreto da escola.A educação precisa reassumir o compromisso de investir no desenvolvimento humano, para que possamos recuperar o espaço perdido da sensibilidade, da ternura, do sonho e do desejo.
Nos últimos anos dediquei parte da minha prática pedagógica para o projeto NAS TRILHAS DE UMA MAQUETE AMBIENTAL.A professora Ana Maria e eu apresentamos o Rio Paraíba do Sul para os alunos através da poesia e da música.Fizemos uma viagem imaginária pelas trilhas históricas do Vale do Paraíba.Construímos um manifesto poético em defesa desse rio.Foi uma experiência de sonhos, lutas e sentimentos.
Em alguns momentos vivemos sob a sombra vilã de uma gestão centralizadora e autoritária.Período sombrio.Tempo de infelicidade.Mas a união foi a nossa arma.Ficamos fortes e não deixamos que sofocassem nosso pensamento crítico.Rompemos os arames da gaiola.Quero acreditar que esta página esteja virada definitivamente da história do CAIC.Aliás, o que nos move é a utopia.
Hoje, onde falo de causos que ficaram na minha memória, torna-se necessário expressar meu agradecimento por ter compartilhado parte da minha existência com o grupo de professores dessa escola.Foi um convívio marcante e rico de conhecimento.Mas no fiel da balança, a minha partida também torna-se necessária.Preciso de um canto novo.Estou com sede de viver outros sonhos e desejos.Sinto necessidade de cumprir nova missão.
Agora, vou fazer e a minha retirada dentro do espírito de uma folia de reis, que todo ano se despede, mas todoa ano ela volta, pra cantar e contar a história de um lindo menino chamado Jesus.
Adeus, adeus ,não chores não!
Vou embora pra cumprir nova missão.
A retirada, a retirada ,a retirada
Ê meus camaradas!
A retirada!
Meire Pedroso
Sentiremos saudades, os alunos sem dúvida perderam muito com a sua saída.
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