terça-feira, 9 de agosto de 2011

A jongueira Tianinha

"Senhores desta casa,licença eu vou chegando,eu vou.Com a voz e a palavra e o coração cantando, eu vou."


     Vou guardar a sua imagem de dançarina, que tinha no rosto um sorriso marcante.O seu ponto de partida era a alegria.Nos dias de festas da cultura popular, lá estava ela, sempre juntinha do seu velho jongeiro Nicolau.Ele partiu primeiro.Ela se debruçou na dor.No silêncio do seu quarto, um choro contido de saudade.
     Mas Tianinha se refez.Deixou se transformar pelo poder irresistível do amor.Buscou na dança uma relação de unidade contínua com sua alma gêmea.Sua boca se encheu de riso e sua saia de chita voltou a rodar.
     Tianinha era uma mulher de todas as idades.Uma menina-mulher que abria o vôo nas asas da imaginação em busca do seu sonho.O sonho de ser feliz.Por isso ela se encantava com o mundo colorido do jongo, do maracatu, das congadas,dos moçambiques e outras manifestações do imaginário artístico popular.
     Saravá jongueiros velhos!Saravá a todos os jongueiros que partiram.Saravá Tianinha!
     Lá no céu duas estrelas-Nicolau e Tianinha-formarão um lindo par de jongueiros numa roda de anjos,arcanjos,querubins, serafins e todos os santos e entidades espirituais.Todos cantando em uma só voz "Joguei meu chapéu pra cima,meu chapéu parou no ar.Ai eu gritei Nossa Senhora,meu chapéu tornou voltar."
     MACHADO!
     Minha memória ancestral reverencia essa Mestre jongueira.E termino esse texto com o nosso ponto de retirada."Eu vou embora,que me dão para levar,levo saudade sua e do povo do lugar."
     Tianinha foi embora.Foi com Deus e Nossa Senhora.


Meire Pedroso
Jongueira do grupo Mistura da Raça

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